terça-feira, 16 de junho de 2026

Elétricos - como será a eletrificação no Recife

A matéria do @fluxomoburbana resume bem o movimento do Brasil rumo aos ônibus elétricos. Os pontos principais: *1. Missão em Shenzhen* Delegação brasileira foi à China no “Tour de Estudo de Fabricantes de Ônibus Elétricos” junto com México e África do Sul. Shenzhen é vitrine mundial: 100% da frota de ônibus é elétrica desde 2017 e lá ficam BYD, Huawei, DJI. *2. Números do Novo PAC Mobilidade* - *R$ 51,4 bilhões* no total para transporte público e infraestrutura urbana - *R$ 19,3 bilhões* só para Renovação de Frota - Meta: 2.927 ônibus elétricos, 10.071 Euro 6, 30 GNV e 54 veículos sobre trilhos *3. A questão estratégica* O texto deixa claro: comprar ônibus não basta. Eletrificação exige cadeia completa: indústria nacional, financiamento, eletropostos, operação treinada, manutenção e planejamento urbano. A grande pergunta que o post levanta é a mais importante: o Brasil vai só importar ônibus da BYD ou vai usar essa demanda de R$ 19 bi para criar uma cadeia produtiva nacional? Shenzhen virou referência porque integrou política pública + indústria local + infraestrutura. Se Recife e outras capitais querem resultado parecido, o caminho passa por fábrica aqui, não só garagem. Beleza. Vamos ao comparativo Recife x Shenzhen e o que isso diz sobre o dilema “importar vs produzir”. *Como Shenzhen fez* Shenzhen é o benchmark porque fez tudo junto e rápido: - *Escala total*: 100% da frota de 16.359 ônibus virou elétrica até 2017. Nenhum diesel rodando. - *Indústria local*: BYD é de Shenzhen. A prefeitura usou a compra pública massiva para bancar a fábrica e P&D dela. - *Infraestrutura planejada*: 8.000 eletropostos e 510 estações de recarga espalhadas pela cidade antes dos ônibus chegarem. - *Modelo financeiro*: Leasing operacional. As operadoras não compram o ônibus. Pagam pelo uso mensal e o governo subsidia. Isso tirou o peso do capex alto. - *Prazo*: Meta foi anunciada em 2009 e concluída em 8 anos. Política de Estado, não de governo. *Onde Recife está hoje* Recife ainda engatinha na eletrificação, mas tem peças importantes no tabuleiro: - *Frota atual*: A cidade tem testes com ônibus elétricos desde 2022/2023. A Mobibrasil e Conorte rodaram BYD D9W em linhas como TI Aeroporto. Mas são unidades piloto, não operação em escala. - *Novo PAC*: Pernambuco foi contemplado no Novo PAC Mobilidade. A verba federal existe. O desafio é Recife apresentar projetos executivos para acessar os R$ 19,3 bi da Renovação de Frota. - *Indústria*: A BYD já tem fábrica de chassis de ônibus em Campinas-SP. A Caio e Marcopolo também produzem carrocerias elétricas no Brasil. Então já existe base industrial, diferente de 2010. - *Infraestrutura*: Esse é o gargalo. Pouquíssimas garagens em Recife têm subestação e carregadores para operar 50+ ônibus elétricos por noite. *O X da questão para Recife* Shenzhen Recife **Decisão centralizada**: Prefeitura mandou trocar 100% **Decisão fragmentada**: Depende de Consórcio Grande Recife + operadoras + municípios **Fabricante local**: BYD nasceu lá **Fabricante nacional**: BYD/Marcopolo/Caio estão em SP/RS **Infra antes do ônibus**: Eletropostos prontos **Ônibus antes da infra**: Projetos ainda em fase de teste **Subsídio ao uso**: Leasing bancado pelo governo **Compra direta**: Operadora ainda assume risco do ativo caro *Resposta à pergunta do post* O Brasil não vai repetir Shenzhen porque não tem um fabricante gigante em cada capital. Mas pode transformar em cadeia produtiva se usar os R$ 19,3 bi com condicionalidades: 1. *Conteúdo nacional mínimo* nos editais do PAC. Exigir carroceria e montagem final aqui. 2. *Fundo garantidor* para leasing, igual Shenzhen. Assim a Conorte ou Mobibrasil não precisa descapitalizar para comprar ônibus de R$ 2,5 milhões. 3. *PAC para energia*: Verba para subestação dentro da garagem. Sem isso, o ônibus elétrico vira peça de museu. Recife tem demanda e tem verba federal na mesa. Se o Grande Recife usar o PAC para puxar uma linha de montagem no Nordeste ou um centro de recarga compartilhado, aí sim vira cadeia produtiva. Se só abrir licitação internacional pelo menor preço, a BYD ganha e importa tudo da China. postado por Jailson Silva Blogueiro influencer

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