terça-feira, 4 de novembro de 2014

Norte Sul - BRT do Recife uma lentidão e falta de prumo nas obras.

Corredor de BRT Norte-Sul a passos lentos, quase parando.

Estação Tacaruna teve a cobertura parcialmente destruída por um caminhão. Ausência de faixa exclusiva provocou destruição
Estação Tacaruna teve a cobertura parcialmente destruída por um caminhão. Ausência de faixa exclusiva provocou destruição. É o terceiro acidente desde que ela entrou em operação

Quem passa pelas obras do maior Corredor de BRT (Bus Rapid Transit) prometido para o sistema de transporte de passageiros da Região Metropolitana do Recife, o Norte-Sul, duvida das promessas do governo do Estado. Com um ano de atraso, a entrega do corredor agora é anunciada para dezembro deste ano. Mas o ritmo das obras e entraves administrativos que estão acontecendo entre o governo de Pernambuco e a construtora colocam em dúvida que esse prazo seja cumprido. Mais uma vez. O ritmo é lento, devagar, quase parando.
A reportagem percorreu os 33 quilômetros do Norte-Sul, entre o Centro do Recife e o município de Igarassu, na Região Metropolitana, e presenciou obras quase paralisadas. Os funcionários nas estações não chegavam a dez, muitos deles apenas sentados, cuidando do patrimônio ou descansando. A maioria das estações de BRT estavam mesmo sem operários. Funcionários foram vistos em apenas quatro unidades e no Terminal de Abreu e Lima, quase concluído. Muitas estações tinham ar de abandono, enquanto outras estavam abandonadas de fato. Como uma das duas localizadas nas imediações da entrada de Jatobá, em Olinda – pichada e com vidros quebrados.
Fotos de Sérgio Bernardo/JC Imagem
Fotos de Sérgio Bernardo/JC Imagem

Das 29 estações previstas para o corredor, apenas quatro estão funcionando (Tacaruna, 13 de Maio, Riachuelo e Praça da República). O Norte-Sul fez uma operação durante a Copa, mas apenas para os jogos. Para o público em geral, começou depois. E só com uma linha (PE-15 Dantas Barreto). Há pouco tempo é que a segunda, TI Pelópidas, entrou em operação. As duas são semi expressas, exatamente porque as estações ao longo do corredor não ficaram prontas. Hoje, com 26 dos 88 BRTs adquiridos pelo consórcio Conorte – vencedor da licitação pública – em operação, consegue transportar 18 mil passageiros. A previsão eram 180 mil por dia.

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Para complicar ainda mais a situação, a empresa responsável pela obra, a Emsa, </DC>entrou com um recurso à medida cautelar referendada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que limitou os custos da administração local e manutenção de canteiros a 10,68%. Segundo o secretário das Cidades, Evandro Avelar, a Emsa e a Mendes Júnior (responsável pelas obras do Corredor de BRT Leste-Oeste e do Ramal da Copa) pediram um reajuste do custo ao Estado, que submeteu o pedido ao TCE. A Mendes Júnior se contentou com o percentual dado pelo TCE, mas a Emsa não. “Esse recurso que está sob análise. Mas as obras seguem normalmente e não correm risco de parar”, afirmou o secretário.
A lentidão das obras faz com que a Secretaria das Cidades prorrogue a decisão de implantar uma via segregada para os BRTs além da PE-15 (trecho em que o corredor sempre existiu segregado do tráfego individual), mesmo que apenas com tachões. A decisão facilitaria o percurso dos BRTs, mas complicaria ainda mais o trânsito para os veículos particulares. O resultado é que a operação tem sido comprometida, inclusive com danos ao patrimônio do futuro sistema. A Estação Tacaruna, na Avenida Cruz Cabugá, Centro do Recife, a primeira a entrar em operação, já foi danificada três vezes porque todo tipo de veículo, com qualquer altura, circula na faixa que deveria ser exclusiva dos BRTs. No último acidente, uma carreta destruiu metade da cobertura da estação, prejuízo que será pago pelo sistema, ou seja, pelo usuário.
Há uma expectativa de quatro novas estações entem em operação até o dia 15: três entre os TIs da PE-15 e PE-22 e uma na Avenida Dantas Barreto. O Urbana-PE, sindicato dos operadores do sistema, não quis se pronunciar.

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